Angus: no alvo dos produtores mineiros

Gado se apresenta como oportunidade de novos negócios para produtores de Minas Gerais pela fácil adaptação, precocidade e maior giro de caixa

Dezenas de produtores marcaram presença na Fazenda Chapéu do Sol, dia 21, em Carmópolis de Minas, para mais uma edição do Programa Angus Supremo, realizado pelo Grupo mineiro Supremo Carnes. Dessa vez com a participação de técnicos da Proad Agronegócio e Ourofino Saúde Animal, parceiras no evento.

Produtores têm cada vez mais despertado interesse pelo assunto na cria, recria e engorda do Angus – meio sangue -, de olho no potencial de mercado e nas vantagens como, rentabilidade, precocidade, fertilidade e rusticidade. O animal tem origem escocesa e é conhecido pelo alto padrão de qualidade de sua carne.

O Supremo é o primeiro frigorífico mineiro certificado pela Associação Brasileira de Produtores Angus no estado, sabendo da importância desse produto no mercado, o frigorífico vai a campo a fim de incentivar a criação do Angus, enfatizando as virtudes da raça.

O programa propõe parceria que consiste em dar suporte ao produtor da cria à engorda, transferindo tecnologia e assistência técnica especializada. Ao final, o frigorífico garante a compra do rebanho quando esse atingir a maturidade, com direito a bonificação – a fêmea tem preço de boi – vantagens exclusivas conferidas aos produtores que aderem ao Programa. A remuneração adotada é de acordo com a cotação do dia anterior ao abate, conforme listado pelo CEPEA – Praça Triângulo Mineiro.

Luiz Carlos da Silva é acionista do Grupo Supremo e anfitrião do evento em Carmópolis. O empreendedor defende que a raça Angus é o que tem de melhor no momento para quem deseja sair à frente com o gado de corte. “Com auxílio técnico, compromisso e trabalho, os dividendos chegam rapidinho”, disse Silva. O animal é abatido normalmente entre o 15° e 16° mês, o que é próprio da genética do animal.   Para o acionista e entusiasta da raça Angus, esse é o momento para novos negócios. “Quer empreender?” Indaga o palestrante, “investe em Angus. O mercado está pedindo isso e o consumidor deseja essa qualidade à sua mesa”, sugere na sequência o acionista.

Geraldo Carvalho é gerente da fazenda São José, em Santa Rita do Sapucaí e não hesitou, marcou presença. A fazenda administrada por Carvalho substituiu uma atividade econômica por outra. “Antes plantávamos batatas, com a inviabilidade econômica do produto ao longo do tempo, a fazenda investiu em gado de corte branco – nelore. Há 2 anos inserimos a cria e engorda do Angus, por meio do cruzamento com a vaca branca (nelore) e o resultado tem sido satisfatório”, disse. A substituição da batata pelo gado foi uma assertiva na opinião de Carvalho. “Com o preço da batata patinando, há 5 anos mudamos a atividade, hoje mantemos 700 cabeças nelore, boa parte em confinamento, além do Angus que agradada muito. E para não perder o costume, mantemos um plantel reduzido de gado leiteiro, sem batatas”, finaliza.

O produtor Antônio de Paula Souza, sem titubear, igualmente enxerga oportunidade com a cria do Angus: “o Programa chamou minha atenção em várias questões. Temos a intenção em investir mais no Angus. Mantenho 500 cabeças de gado na fazenda. Nesse montante inclui-se o Angus, o nelore e pouco gado leiteiro”, afirmou.

Produtores de todos os lados estiveram na Fazenda Chapéu do Sol.  De Conselheiro Lafaiete, Armando Marcondes Siqueira (62), trouxe na cabeça além de uma boina italiana, muitas ideias, o jeito mineiro de ser e muita sede de informação. Siqueira é aposentado do Banco do Brasil, atento às novidades, não se dispersava momento algum durante as palestras. Iniciante no ramo e entusiasmado com a pecuária, logo foi dando o seu recado: “sempre sonhei, desde pequeno, atuar com gado. Agora, o tempo parece ter reservado para mim a realização de meu sonho, criar boi”, revela.

Comerciante em Conselheiro Lafaiete, proprietário de três lojas de calçados, Siqueira divide o tempo entre as lojas e o ambiente rural. “Aos poucos, bem devagar, vou tirando os pés das lojas e deixando para os filhos administrarem. O que eu quero mesmo é ampliar minhas terrinhas e tocar a boiada”, manifestou sorrindo.

A performance do Angus parece de fato ter atraído produtores iniciantes e experientes, todos atentos ao movimento do mercado. “Compro Angus meio sangue para a recria, por enquanto em pequena quantidade, mas já tomei gosto pelo negócio. Mantenho um toro puro sangue para produção de bezerro macho, quero avançar um pouco mais”, complementa.

O Angus vai ganhando espaço no campo, consequentemente nas gôndolas dos supermercados. A alta gastronomia cresce e os consumidores exigentes também. Esses não deixam de consumir o melhor da proteína. Lucas José Soares Rosa, zootecnista e coordenador regional do Programa Carne Angus Certificada, comunga desse sentimento: “quem come a melhor carne muda o ponto de referência,” afirma. Em seguida atribui valor a carne certificada como um diferencial a mais: “significa que o gado foi inspecionado e tem garantia de procedência e qualidade atestada”, conclui.

Segundo o Instituto de Ensino e Pesquisa –  Insper –  um nelore deve ser abatido entre 794 dias ou para ser preciso, dois anos e dois meses. O animal ganha peso somente até essa idade. Depois disso, o gado continua a se alimentar, mas não ganhará peso suficiente capaz de justificar o equilíbrio entre custo x benefício, sugere a pesquisa.

Em comparação aos zebuínos, a vantagem em criar Angus é poder antecipar o abate, com a diferença de o produtor ter maior rentabilidade, maior giro de caixa em menos tempo e ofertar qualidade de carne superior.